Baú

Confesso que tenho alguns hábitos antiquados, como o de guardar no papel, escritos à mão, os meus romances, contos, poemas… Nem as reportagens escaparam – apesar de ter uma cópia em CD da maioria, arquivei todas no formato original, ou seja, impressas nos jornais em que foram publicadas. Mas, com a deterioração inevitável dos suportes antigos, corro o risco de perder toda a minha ‘obra’. Por isso, para ao menos deixar registrado que ela um dia existiu (se é que alguém um dia vai se interessar em saber), tomei a liberdade de relacioná-la aqui. É o meu pequeno tesouro particular, valioso, para mim, por motivos que às vezes nem eu compreendo bem…

LIVROS

Escrevo desde que me entendo por gente, mas tinha medo de reunir meus textos em livros. Acreditava que os escritores eram criaturas estranhíssimas, solitárias, que se isolavam em casarões distantes para escrever – e eu que sempre gostei de multidões! Mas lá pelos 10 anos uma bibliotecária esperta conseguiu me convencer, e comprei o primeiro dos 30 cadernos brochura, de capa dura, onde anotaria minhas histórias. Não vou reproduzi-las aqui. Ao contrário do que alguém, com muito esforço e imaginação, pode pensar lendo os contos e poemas (pertencentes a uma fase bem posterior), nunca fui uma criança precoce, superdotada. Me aperfeiçoei (eu quero acreditar nisso) ao longo dos anos. Reservo-me a citar seus títulos, com uma breve descrição de cada um.

Livros

1 – Estorinhas (1988) – O primeiro livro, uma coletânea de contos. Histórias de ficção científica bem bobinhas, típicas de criança.

2 – Uma gota para um coração – Coletânea de contos. Também com histórias de ficção científica e algumas de amor, ainda bem precárias, mas agora com uma dose de humor.

3 – Então falemos sobre o passado – Coletânea de contos. Aqui, além da ficção científica, histórias policiais (nem pense em Agatha Christie, ela não merece esse desgosto…rsrrss… além do quê essas estavam mais pro estilo americano de policial).

4 – Sonhos – Coletânea de contos. Continuação de algumas histórias iniciadas no livro anterior. Surgem histórias com capítulos (um ensaio).

5 – Precisamos nos encontrar – Romance. O primeiro do tipo. Linda precisa encontrar a irmã desaparecida há dois anos, e, no caminho, se depara com o amor.

6 – Mãe Natureza – Fantasia sobre a princesa russa Anastácia, que, aqui, fugiu do massacre de sua família nas mãos de Rasputin e veio parar na Amazônia (rsrsrsrs).

7 – Lembranças de uma presidiária – Ana Carol é presa acusada de um crime que não cometeu e descobre, durante os anos na cadeia, que o grande amor de sua vida desistiu de esperá-la e se casou com outra. Agora, a luta é para retomar a própria vida e se vingar.

8 – Coração Ariel – Ariel, amaldiçoada, se transforma num pássaro, e acaba entregue ao homem com quem ia se casar, como animal de estimação, sem que ele desconfie de sua identidade. E agora, como avisá-lo?

9 – Perdida na Floresta das Flores Vivas – Vitória foi abandonada, ainda bebê, numa floresta. Mas o lugar era povoado por flores que serviam de morada a seres encantados, e estes assumiram a criação da menina. Mas surgirá o tempo em que ela terá de voltar para o seu próprio mundo.

10 – Amizade e coragem – Johnnatan e Agatha viviam felizes na Austrália, até que uma bruxa provoca a sua separação e morte, através de um feitiço. Muitos anos depois, um novo casal, Diana e Apolo, vai morar no mesmo lugar, e assume a missão de reuní-los.

11 – Sorte – Andréia, moça humilde, vai tentar a vida na cidade grande, onde passa por muitas dificuldades. Ao mesmo tempo, um mistério a atormenta: todas as noites, vê um índio em seus sonhos. E a sua sorte é selada quando, num lance inacreditável do destino, ela o encontra em plena metrópole.

12 – O Calendário – “O Calendário” é o maior jornal da cidade, e seu cotidiano é revelado a partir das aventuras e desavios dos jovens ‘focas’ que trabalham ali.

13 – O colecionador – Uma aldeia na Irlanda vive atormentada pelas reinações de um duende perverso, até que um misterioso andarilho aparece para reverter a situação.

14 – L.K. – Uma jovem misteriosa chega à cidade, sem nenhuma memória de seu passado, e transforma radicalmente a vida de todos a seu redor.

15 – Além do limite – Uma ficção científica sobre uma São Paulo do futuro.

16 – Viagem à terra dos druidas – O mais precioso dos meus tesouros (se um dia resolver tentar a publicação de algum dos meus livros, será esse). No “cardápio”, história, mitologia, magia, reencarnação, aventura e romance. Uma turma de jovens formandos viaja em férias à Escócia. Durante um passeio na região, acabam acidentalmente numa ilha não registrada nos mapas, e encontram alguns druidas – sacerdotes celtas perseguidos pelos romanos, até o século I, e desaparecidos – que sobreviveram ao tempo, de forma inexplicável. Eles fazem com que Rita, uma das integrantes do grupo de universitários, volte no tempo e descubra sua antiga e inacabada missão em outra vida. Uma missão da qual depende o seu futuro e o de seus amigos.

17 – A última estação – Ficção científica. Um rasgo interdimensional surge bem no túnel do metrô de São Paulo, levando os passageiros para uma outra dimensão, habitada por seres que guardam um perigoso segredo.

18 – Luas de Iliríada – No distante planeta Iliríada, Parsifal e Alíria têm seus destinos selados quando se encontram no bosque, sob a luz de uma lua cheia de encantos estranhos, e se tornam vítimas da maldição que afetará todo o seu mundo.

19 – Sol Azul – Ruínas de um templo desconhecido são encontradas em Tessa, no Tibete, e provocam estranhos acontecimentos em diversas regiões. Um segredo que só poderá ser encontrado por alguém do outro lado do planeta, alguém cuja história está ligada a ele.

20 – Estranhos – Outra ficção científica. Num futuro caótico, a Terra sofre com o clima, a excassez de comida e a miséria geral (parecido com o que temos hoje?). Alguns privilegiados construíram um mundo novo em Marte. Mas um governo tirano e corrupto domina os dois planetas, deflagrando uma guerra contra jovens idealistas, que podem ter de enfrentar em batalha os próprios pais para alcançar o futuro justo que almejam para o resto da humanidade.

21 – A sombra da rosa – Primeiro e último romance policial (o gênero exige muito planejamento, estratégia, raciocínio lógico, disciplina, coisas que eu não tenho – não para criar algo do tipo – e me fazem admirar ainda mais Agatha Christie). Imagine você criar uma história onde alguém é morto e só depois parar para pensar porque o personagem foi morto, de que maneira e, mais importante, por quem?! rsrrsrsrss… Winston é um jovem policial sonhador, fã de histórias de detetive e ficção científica, que toma a si a missão de desvendar os estranhos assassinatos que assolam a cidade. Em meio a uma trama que envolve poder, corrupção e interesses políticos, enfrenta os próprios superiores para ir adiante. Ao mesmo tempo, é o único que acredita que a testemunha ocular dos crimes é um ser de outro planeta, e ele segue a sua pista, numa caçada repleta de reviravoltas.

22 – O Templo (Parte I) – Com base em uma extensa pesquisa histórica, focada sobretudo numa época da mitologia chinesa marcada com a sigla a.n.e. (antes de nada existir) ao lado das datas, conta sobre a primeira dinastia chinesa, ainda no tempo dos deuses-imperadores e dos dragões. Quando um dos herdeiros do trono, filho do maior dos deuses, se rebela e usa seus poderes para governar, guerreiros de todo o mundo são chamados para detê-lo, enfrentando outros deuses maléficos, e confiná-lo num templo, com a ajuda dos outros príncipes.

23 – O Templo (Parte II) – O antigo príncipe exilado reencarna na figura de um multimilionário implacável, que descobre, em ruínas na Índia, um tesouro milenar com o qual tem finalmente a chance de dominar o mundo. E, mais uma vez, guerreiros de diferentes partes do planeta são convocados para enfrentar a ele e os antigos deuses do lado das trevas. A reunião deles revelará segredos e mudará as suas vidas. Se estiver lembrando de Mortal Kombat, ou qualquer coisa ligada às histórias de RPG, não é à toa. Adoro isso!

24 – Calápatus – Início de uma trilogia sobre as aventuras de um grupo de adolescentes que vivem na Ilha de Tesouros, lugar paradisíaco no Atlântico que, numa Terra do futuro, é um modelo de uso da mais alta tecnologia a favor da educação, saúde, bem estar social e ecologia. O grupo, que se autodenomina Piratas, passa o tempo inventando aventuras, até que descobrem uma passagem secreta para Calápatus, um planeta dominado por fadas, bruxas, príncipes e monstros.

25 – Calápatus II – Mais crescidos, os Piratas juntam-se às forças de segurança espalhadas pela Terra, quando são obrigados a enfrentar uma guerra com outro planeta, num doloroso processo de amadurecimento.

26 – Calápatus III – Capítulo final da trilogia, em que os Piratas descobrem o ressurgimento de Atlântida das profundezas do mar, bem ao lado de sua ilha. E, então, se vêem às voltas com remanescentes atlantes que desejam tomar posse da antiga terra como ponto de partida para dominar o resto do planeta, usando seus conhecimentos superiores.

27 – Diário de viagem – Através das notas de um viajante, conhecemos o passado de Marabhashir, reino tomado de mistérios e governado por uma dinastia com poderes especiais. Conhecemos, também, a história de Roxanne, plebéia que se apaixona por Alei, príncipe herdeiro, e é tragicamente separada dele, queimada numa fogueira como bruxa, graças ao preconceito do povo e a ganância dos que se articulam no poder. Tem início o pesadelo que mexerá com todo o reino. Este volume é um prólogo do romance que virá a seguir.

28 – Marabhashir – Lundra, filha perdida de Roxanne, torna-se uma grande guerreira e forma um exército para livrar o reino da tirania vigente e vingar a morte da mãe.

29 /30 – Luar Nibelungo – Imagine um livro com jeito de novela – vários núcleos de personagens bem estruturados, cada núcleo com seu próprio ambiente, rotina, história – e andamento de seriado – algo com várias temporadas, sem um fim determinado. Não, não é o enredo de História sem Fim, apesar de ter alguma semelhança, em algum lugar…rsrsrs. A história se desenrola em duas dimensões – nosso mundo e o Outro -, interligadas por alguns portais que devem permanecer fechados e vigiados por guardiões. Em nosso mundo, toda a população está dominada por um governo centralizado, tirânico, uma espécie de Grande Irmão que baniu a música, já que ela poderia despertar as pessoas de seu transe de obediência. Mas os filhos dos membros do governo, jovens rebeldes, formam uma banda de rock diferente de tudo o que já existiu – os Anjos Caídos – e acabam provocando uma onda de revolução por todos os lugares, graças ao som que criaram. Ao mesmo tempo, no Outro Mundo, perigos invisíveis ameação seres guiados por um tempo diferente do nosso. Um tempo que permite a amazonas e guerreiros nibelungos viverem durante séculos, ao lado de fadas e seres imortais das florestas. Ali, acima das nuvens, os deuses assistem indiferentes ao destino dos homens, servidos por Valquírias divididas entre a divindade e a nobreza. Quando um temporal misterioso abre os portais, deixando escapar uma das criaturas do Outro Mundo, uma criança com poderes perigosos que afetarão a vida de todos neste mundo, a única saída possível é vir resgatá-la. A “novela já tem dois volumes e mais de 100 personagens, e ainda está em andamento.

31 – Seguidores de Pandora – Mais na linha infanto-juvenil, acompanha as aventuras de um grupo de meninos e meninas, entre os 8 e 18 anos, que têm em comum a ausência dos pais e a paixão pelo perigo. Também está em andamento.

JORNAL DA PRAÇA IN REVISTA

Criei este veículo com o objetivo de divulgar a arte de rua, englobando também as feiras de artesanato de São Paulo. Era uma época em que eu tinha me arriscado a mostrar meus quadros (sim, eu pintava, ou fingia pintar, e um dos produtos desse atrevimento está reproduzido na seção de poemas – À italiana) a quem quisesse ver, na Praça da República. Desenvolvi todo o projeto gráfico e editorial do jornal, cuidei da diagramação, selecionei colaboradores (jornalistas ou não) que toparam enfrentar o desafio de maneira voluntária, e também fiz todo o trabalho de captação de anúncios publicitários. E, embora tenha tido que interromper a sua publicação no início de 2007, me orgulho em ver que, durante o período em que funcionou, o jornal conseguiu o seu objetivo principal: divulgar a arte de rua, sobretudo aos turistas estrangeiros que circulam pela cidade – algo que pôde ser medido pelo aumento crescente nas vendas em feiras de artesanato, por exemplo. Abaixo, algumas das edições que mais gostei de fazer.

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Maio de 2005 Setembro de 2005 Dezembro de 2005

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Abril de 2006 Agosto de 2006 Outubro de 2006

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Dezembro de 2006

JORNAL NOVAS TÉCNICAS

Assumi a edição deste veículo da área de cultura, focado sobretudo no artesanato, pouco tempo depois de sua criação. Ele passou por um período de prosperidade, com distribuição gratuita em boa parte do Brasil, atendendo aos artesãos. Hoje, passa pelo desafio de ser vendido em bancas, livrarias e lojas especializadas de forma independente, sem uma editora ou distribuidora que o represente. Aliás, a independência e a ousadia em abrir o seu espaço sem muitos recursos ou parceiros foi o que sempre caracterizou o JNT, ao longo desses anos. Muitas mudanças estão em curso, mas as curiosidades, os artigos, a cobertura envolvendo toda a política cultural brasileira e as polêmicas continuam ali. Visite o site: www.jornalnovastecnicas.com.br

CONTEMPORÂNEA

É o meu mais novo ‘filhote’, se é que posso chamar assim. A iniciativa desta nova revista da área cultural foi do diretor do Jornal Novas Técnicas. Ficou a meu cargo criar a “cara” da revista – projeto gráfico e editorial. Como editora, também era minha responsabilidade coordenar a equipe de jornalistas que estão espalhados pelo Brasil e fazer dessa publicação um produto diferenciado num mercado tomado por Bravo, Cult e outras tantas. Um desafio e tanto para quem gosta de aventuras! Durante o tempo em que a editei, pude aprender muito, além de conhecer pessoas interessantíssimas e talentosas.

Uma resposta leave one →
  1. 2008 Agosto 15

    Impressionante…

    Um abraço ;)

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