10h06
novembro 7, 2010
Quando surgia uma ideia para um novo texto, olhava primeiro o relógio. Não podia escrever antes das 10h06. Nem depois. Tinha de ser às 10h06. E se, ao contrário, os números fatídicos aparecessem no relógio sem que o dia tivesse lhe trazido nada especial, forçava-se a rabiscar umas poucas palavras a esmo. Sabia que, se não escrevesse naquele horário exato, algo terrível aconteceria.
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