Brilhos

2009 Julho 5

Uma névoa densa envolvia a cidade, borrando o negrume do céu, o contorno dos prédios e das ruas. Postes, faróis e placas ardiam oscilantes, e de repente tudo era fogo, e o olhar se via irremediavelmente atraído para a luz. Era uma ilusão, era uma pintura, apenas. Mas nada parecia mais vivo, mais palpitante, e quente, e intenso. A sedução de um sonho perdido desde sempre. A cidade que era e que não era. Mais real, certamente, do que o homem que chorava do outro lado da sala, afogado em desespero, abraçado por outros sem achar amparo no meio daquela beleza assim estática.

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