22h43 – P.S.
E, no caminho de volta para casa, já noite alta, outra dupla de velhinhos, senhores vestidos naquela elegância antiga que já se perdeu, se divertiam à beça com microfones na mão, diante do karaokê no barzinho da esquina. Não bebiam, não fumavam, não prestavam a menor atenção aos habitués. Seus olhos eram todos do vídeo onde as letras se desenrolavam. E os sorrisos que os iluminavam eram genuinamente infantis, de crianças que acabaram de ganhar um brinquedo novo. E para eles, que da mesma forma que qualquer guri não tinham mais nada por que esperar, aquilo era tudo o que bastava. E por causa deles o céu noturno ainda tinha aquele azul-vitral dos anos 40.

Quando o passado invade o agora e não parece haver tempo …