Havia um anseio na minha alma antiga
Um rosto que se delineava aos poucos
Traço a traço marcando a memória
Sem jamais se completar
Em meio à penumbra
Havia um anseio na minha alma antiga
Como o frêmito doloroso das asas
De um anjo
Mergulhando no mundo
O bater descompassado de um coração
Reboando nas sombras
E era uma vontade insana de revê-lo
De rasgar, virar do avesso
Todo o pouco que vivemos
Dizer que foi verdade
Mas nem ao menos estávamos vivos
Apenas o tempo nos percorria
Como um vento mau
Que nos desgastasse a pele
Ressaltando sulcos de
Esquecidas lágrimas e agonias
Levantando cabelos cinzentos
De cinzentas lembranças
Apagando o fogo dos olhos
E agora que se foi
O momento desperdiçado de nos vermos
Apenas minha alma antiga permanece
Escorada em paredes
Imersa na escuridão
Deslocada como se de outro tempo viesse
E não mais tivesse forças para partir
Ou para desejar ficar
Alma antiga
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O tempo cruel sempre passa quando não queremos. Uma vida parece um instante e temos, na alma, marcas de épocas que não vivemos.
adorei seu blog
será que o escritor e o jornlista não podem dividir o mesmo corpo ?
E eu adorei seu comentário! Muito obrigada! Quanto à sua pergunta, acho que o escritor e o jornalista não só podem como devem dividir o mesmo corpo. Aliás, li uma frase do Marcelo Coelho com a qual me identifiquei, terei de postar a respeito: “o jornal deveria ter mais romances e menos tabelas”. Ah, estou visitando o seu blog. Depois, com calma, dou notícias!