Limbo

Liguei o rádio
Abri a janela
Respirei o céu azul
Dei bom dia ao bem-te-vi
Que mal me viu
Coloquei o café na xícara
Deixei as idéias se arrastarem
De carona com a fumaça boa
Que se evolava
Desenhando vôos de mentira
Tanto ainda por fazer
E o tempo não dá uma chance
Inventei mil projetos
Saí pra rua
Entrei no ônibus
Observei as pessoas
Advinhando suas histórias
E as minhas
Sufoquei no escritório
Cheio de paredes
Dei conta de quase todo o trabalho
Dei adeus
Voltei pra casa
Encarei a folha de papel
Que em branco me esperava
E nem jantei
Escrevi um poema doído
Sabendo ser apenas mais um personagem
Ganhando voz
E no rádio que desliguei
Era a mesma voz assobiando
Little patience, yeah…
Tentei não inventar mais nada
Acenei um boa-noite para
O anjo do meu lado
E fui para a cama
A propósito
Não lembrei de você, hoje
Nem por um segundo
Seu nome apareceu boiando
Entre os meus pensamentos
Também não importa mais, não é?
Se em tudo o que
Faço, digo ou penso
Está impressa
A saudade absurda
Rídicula
Que sinto de você
E essa vontade besta
De olhar nos seus olhos
Mais uma vez
E ouvir a sua voz
Que nem é de travesseiro
Mas arranca do limbo
Meus melhores sonho
s

Publicado em: on Maio 22, 2008 at 12:46 am Deixe um comentário
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