Esqueço?

Ainda esqueço

A neblina morrendo nas vidraças

Plasmada no teu rosto de paisagem

E a indiferença

Que combinava tão bem

Com a moldura do Teatro Municipal

Tudo o que você ofereceu

Naquele dia

Uma cerveja no boteco de sempre

Um cheiro incerto de noite marginal

A promessa de aventura

Que nunca acontecia

Como se via em Paris

O olhar de galã do Cine Ipiranga

Perdido ali na esquina

Para nunca mais…

Eu lambia as suas palavras

Pura cacofonia

Aquela mistura Kitsch

De quarteirão em quarteirão

Jurava que dava

Uma coisa boa qualquer

Seguia os teus pés por atalhos inúteis

Para os mesmos lugares

E o mundo podia ser só uma noite

Tropeçando em bêbados

Nas ruas fétidas

Desviando de loucos e boêmios

Para acreditar nas suas quimeras

Só mais algumas horas

Mas os caminhos mudaram

Vacilantes feito as ruas

Tomam outros nomes

Disfarces

A história de sempre

Na cidade-mundo

Algo de você se perdeu

Ali na rua Aurora

Eu peguei uma reta

Não me diga que de verdade

É impossível uma reta em Sampa

Também nunca vi a neblina

Morrendo ao teu redor

No centro ainda pulsante

E mesmo assim é a lembrança

Que eu tento esquecer

Publicado em: on Maio 18, 2008 at 12:34 am Deixe um comentário
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