Ainda esqueço
A neblina morrendo nas vidraças
Plasmada no teu rosto de paisagem
E a indiferença
Que combinava tão bem
Com a moldura do Teatro Municipal
Tudo o que você ofereceu
Naquele dia
Uma cerveja no boteco de sempre
Um cheiro incerto de noite marginal
A promessa de aventura
Que nunca acontecia
Como se via em Paris
O olhar de galã do Cine Ipiranga
Perdido ali na esquina
Para nunca mais…
Eu lambia as suas palavras
Pura cacofonia
Aquela mistura Kitsch
De quarteirão em quarteirão
Jurava que dava
Uma coisa boa qualquer
Seguia os teus pés por atalhos inúteis
Para os mesmos lugares
E o mundo podia ser só uma noite
Tropeçando em bêbados
Nas ruas fétidas
Desviando de loucos e boêmios
Para acreditar nas suas quimeras
Só mais algumas horas
Mas os caminhos mudaram
Vacilantes feito as ruas
Tomam outros nomes
Disfarces
A história de sempre
Na cidade-mundo
Algo de você se perdeu
Ali na rua Aurora
Eu peguei uma reta
Não me diga que de verdade
É impossível uma reta em Sampa
Também nunca vi a neblina
Morrendo ao teu redor
No centro ainda pulsante
E mesmo assim é a lembrança
Que eu tento esquecer
