Em desespero
Escrevo estas linhas
Para te dizer adeus
Seguir por estas esquinas
Que já estou farta de conhecer
Louca
Respiro poluição
Vislumbro as alturas brilhantes
Dos arranha-céus
Sonhos de suicidas
Vagando pelos olhares
Da multidão sem nexo
A carne queimada
Nesse pranto ressecado
Iguala a euforia e a dor
Das sombras nas grandes avenidas
E me perco nos becos cheios de saídas
Atalhos insuspeitos
Para os mesmos enganos
Não sei esquecer o reflexo nas vidraças
Moldando a tua indiferença
Também não me faça lembrar
Dos sorrisos guardados
Naqueles nossos refúgios
Eles não tiveram uma canção
Mas ouvem ainda
Os meus versos num cortejo
De estilhaços e palavras esvaziadas
Não vou evitar
Estes pés em desalinho
Nem desviar os passos
Por estes labirintos
No turbilhão urbano
Escondo a minha asa quebrada
Para me defender do teu rosto
E encontrar minhas mãos livres
Deslizando por outras paredes
Apenas a cidade
Ainda é a mesma
Talvez
Cidade
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