Sem título I

2007 Novembro 1

Pobre vida sem rumo
Esta que escolhi
Falta de ritmo e de cor
Uma deslavada mentira
No espelho
E só
Patética figura
Atriz desbancada do seu palco
Arauto da ignorância
Cuspindo dramas
Tragédias
Belos poemas tristes
A plenos pulmões
Enquanto se compadece
Ante sua melancolia
Sina e desgraça
Dos que não têm história
Dos que não sofreram
Dos que se negaram
E mimetizam
A rasa superfície
Da dor alheia
Tentando sentir…
Sentir!
Com a inútil certeza
De que qualquer palavra
Soaria vazia
E decerto cairia por terra
Sem nada explicar
Falas de amor?
Falas de emoções?
Olhos brilhantes
Anuviados de lágrimas?
Tolice!
Você não suportaria ouvir
Sobre este sentimento impiedoso
Que se enclausura aqui
E anula todo o resto
Tornando dolorosa, e doce, e assustadora
A menor lembrança
Ah! Amor!
Você enlouqueceria
Se eu o encarasse
Com estes olhos límpidos
Úmidos
Deixando entrever
O que se esconde no fundo
Não queira saber
De emoções tão intensas
Não queira ver minhas lágrimas
Nobre senhor
Permita que eu siga tranqüila
Ébria
Nesta vida sem propósito
Espalhando aos ventos
As paixões estéreis
Tolas amarguras
Dessa gente
Como se de minha propriedade fossem
Melhor conviver com a simples ausência
Que me rouba apenas um pedaço
Da alma

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